A Noiva Cadáver

 Nossa história começa com um jovem rapaz, que vamos apelidar de Victor. Ele era desajeitado, meio tímido (bem mais o primeiro do que o segundo) e estava prestes a se casar com a garota que ele imaginava ser o amor da sua vida. Essa garota, que vamos apelidar de Victória, era uma moça de família tradicional, que sonhava há muito tempo com o casamento com o homem pelo qual ela se apaixonaria perdidamente.

 Ela havia sido mimada e bem protegida por seus pais para que esse dia chegasse, e quando chegou, as expectativas eram grandes para que tudo acontecesse de acordo com o plano.

 Tudo estava se encaminhando. Os preparativos, o enxoval, os planos. Era só uma questão de tempo até o casamento acontecer, no entanto, num momento crítico, muito devido a pressão de tudo ao seu redor, Victor acabou fugindo, deixando sua noiva e a família dela para trás.

 Em meio ao pânico e ao desespero, o rapaz se viu perdido em uma floresta escura, onde finalmente estava sozinho.

 Tudo parecia perdido. Todo o empenho e esforço para fazer aquele casamento dar certo, para tomar para si seu primeiro e único amor, havia sido jogado fora e, apesar de tudo, ele não se sentia tão mal.

 Não era tão ruim estar no breu da floresta. Na verdade, dava para dizer que ele finalmente se sentia mais leve para recomeçar as coisas, e reconstruir sua coragem para amar de novo. Mas, como o amor é imprevisível, ele acabou conhecendo outra mulher... Uma que ele definitivamente não estava preparado para conhecer.

  Essa mulher era totalmente diferente que Victor já havia conhecido. Era madura, havia sido iludida por um conquistador barato, se casado com ele e se separado de uma forma muito dolorosa. Ela sofreu, mas tinha a esperança de conhecer alguém que a amasse de verdade, e o jovem garoto parecia ser exatamente essa pessoa, afinal ele a tratou melhor do que qualquer um já havia tratado.

 O nome dessa mulher, ou melhor, o apelido, era Emily... E contra tudo o que se poderia esperar, ela e Victor se casaram, e entenderam um ao outro como ninguém mais entendeu.

 Talvez você ache que conhece essa história. Talvez associe ela a um filme romântico sombrio de um diretor gótico e excêntrico  sobre um rapaz que se casa com uma mulher morta... Mas não poderia estar mais enganado.

 Claro, eu peguei emprestado o nome dos personagens desse filme, no entanto, na verdade, essa é a história de como eu e minha namorada nos conhecemos.

 Eu, o garoto inexperiente que estava quase me casando com a primeira garota com quem me envolvi, abandonei tudo na última hora porque percebi que não seria feliz nessa relação.

 A minha "noiva" me amava, mas como muitas pessoas de mentalidade antiga (pequena e meio infantil), não tinha noção de respeito e liberdade dentro de um relacionamento, e como eu também não tinha experiência e um histórico de muita auto estima, não fui capaz de impor isso a ela.

 Eu abri mão de uma "bela história de amor" porque me dei conta de que a vida não é um conto de fadas, e eu precisava de alguém que, acima de tudo, me fizesse bem de verdade.

 Enquanto isso, minha futura namorada, estava em um relacionamento abusivo também com uma paixão da adolescência. Basicamente, ela foi até o fim daquilo que eu quase fiz, e se frustrou, tendo que sacrificar tudo o que tinha conquistado até ali para se libertar.

 Com uma medida certa de acaso, eu e ela acabamos nos encontrando, e estamos juntos há seis meses, conseguindo ter menos de 1% dos problemas que eu tinha com a minha "noiva filha da família Everglot". 

 É interessante pensar que o filme do Tim Burton acabou com um final diferente para um romance assim. É óbvio, se trata de um conto de fadas gótico que mostra um final feliz convencional, e embora o filme seja muito bom, o que acontece na vida real pode ser muito diferente.

 Era raro, para não dizer impossível, que um casamento arranjado como o de Victor Van Dort e Victória Everglot jutasse casais que realmente se gostassem. E mesmo que acontecesse um milagre desse tipo, não quer dizer que seria um casamento funcional.

 Pessoas podem se gostar e, mesmo assim, se machucar, e por isso, talvez Victor tivesse sido mais feliz se tivesse ficado com a mulher que ele conheceu por acaso, que tinha tudo em comum com ele, e que o amava por ele ser quem é, não o filho de uma família de novos-ricos.


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