Ensinando a Escrever

  Eu me pergunto se é possível ensinar alguém a "escrever bem". 

E olha, eu sei o que está pensando. Seria muita arrogância a minha pensar em ensinar a alguém, mas o caso é que esse é exatamente o meu ponto.

 Não, eu não acho que seja impossível ensinar alguém a escrever bem, mas tenho certeza de que eu não sou capaz.

 Durante as últimas semanas, e talvez últimos meses, eu passei horas e horas dos meus dias tentando me ensinar novamente a escrever da mesma forma como eu escrevia até o final do ano passado, quando acabei perdendo um pouco esse hábito com o advento da incrível função de Ghost Writer que inteligências artificiais como o chat GPT oferecem ao público.

 De repente, depois de ter escrito um livro de umas 500 páginas com ajuda do GPT, eu simplesmente não conseguia mais escrever nem um único parágrafo com a mesma autenticidade que eu tinha quando estava escrevendo praticamente todos os dias (mesmo tendo apenas uma hora por dia pra isso).

 Pode parecer estranho, mas ao mesmo tempo que você se torna um bom escritor, você se torna um bom crítico de si mesmo, e depois, quando decidi voltar a escrever manualmente, nada mais passava pelo meu departamento de qualidade.

 Isso, que podemos chamar de "bloqueio criativo", mas eu prefiro chamar de "excesso de ferrugem no cérebro", já estava me deixando preocupado depois de chegarmos a quase metade do ano de 2025 e eu não ter conseguido produzir nada de interessante, mesmo tendo finalmente mais tempo para dedicar ao meu hobbie.

 Claro, podemos pensar em soluções como escrever sem cobrança e ver o que sai, ou usar ruído branco, ou ler para buscar inspiração, ou em um milhão de outras coisas que eu mesmo recomendaria a alguém que quer escrever, mas, depois de todo esse tempo, pude ver na prática que nada disso funciona sozinho.

 Escrever sem cobrança pode render textos sem ritmo, sem pé nem cabeça, e embora usar ruido branco e fazer meditação realmente ajude a ter um foco melhor, isso não é o suficiente para ter uma fluidez criativa. E a leitura, bem... Eu nunca vou negar que ela é essencial para quem quer honestamente escrever, mas ela definitivamente não estava agregando nada ao meu motor criativo.

 Nada disso tem algum efeito real se a gente não sentar e praticar, afinal de contas. Nesse último final de semana eu decidi aceitar que eu não escrevo mais como antigamente, e embora eu queira muito, nas condições atuais não tem como emular o estilo que um dia eu consegui desenvolver.

 São tantas as coisas que atrapalham a mente de um escritor que é até difícil de listar, mas distrações, ansiedade, preguiça e mais todos os hábitos que estimulam essas mesmas coisas são com certeza os tópicos principais.

 Escrever é um trabalho de concentração, de persistência e, apesar de isso soar bobo e genérico, de dedicação (Esse último detalhe eu acho tão importante que deveria ter um ensinamento bíblico sobre se dedicar um pouco por dia por um longo prazo para se obter bons resultados. Talvez isso já exista. Eu não sei porque não sou católico). Por esse motivo não se deve pensar que dá pra simplesmente aconselhar alguém sem ter uma boa noção de como construir um estilo, já que o ponto principal de ensinar a escrever está em ensinar a praticar para desenvolver esse estilo.


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