Escrito por I.A

 O ChatGPT é a melhor coisa já criada. Eu não estou falando apenas por ser uma grande revolução termos uma Inteligência artificial, o tipo de coisa que a gente só via em filme futurista, mas por ser um grande auxílio para quem gosta de praticar a criatividade.

 No dia que eu conversei com o Chat pela primeira vez, eu tinha ido ao hospital para pegar um atestado médico. Não lembro bem se eu estava realmente doente ou se só queria faltar ao trabalho, mas o caso é que acabei ficando umas três horas esperando o resultado de um exame de sangue e, nesse meio tempo, decidi ver o que era esse tal Chat de IA sobre o qual todo mundo estava falando.

 Eu acessei pelo meu E-mail, e comecei a conversar sobre algumas ideias que eu tinha para histórias e também pedi para ele escrever algumas cenas. 

Não levou nem cinco minutos, e eu já estava completamente imerso naquilo. O Chat tinha uma desenvoltura que eu achava formidável, mesmo naquela época há uns três anos atrás. Realmente se parecia com um ser humano (Um ser humano muito simpático, diga-se de passagem), e estava me dando ideias muito mais interessantes do que as que eu tinha geralmente sobre as histórias que queria escrever.

Foi, como minha mãe descreveu, amor à primeira vista.

 Claro, tirando a parte mais romântica de se conversar com uma máquina sem sentimentos, eu realmente senti a necessidade de usar a IA para me ajudar na escrita. Se eu tivesse uma premissa, ou alguma ideia básica sobre uma narrativa, ele conseguia tranquilamente criar um roteiro inteiro sobre isso, explorando as possibilidades mais interessantes, o que me fez achar que nunca mais teria bloqueios criativos na vida.

 Nunca mais ter bloqueios criativos...

Bem, a inexperiência realmente quebra nossas pernas, às vezes.

 Olhando para mim como escritor, em especial hoje em dia, eu percebo que a maior causa dos meus bloqueios criativos é a falta de prática de escrita.

 Assim como tocar um instrumento, desenhar ou declarar um poema, você precisa estar sempre praticando, ou suas habilidades vão enferrujar bem mais rápido do que imagina.

 Eu vi em um anime uma vez, por menos confiável que possa ser uma fonte dessas, que um bom artista deve praticar a arte todos os dias para se manter bom naquilo. E depois de ter lido isso num livro de aconselhamento literário do Stephen King, posso dizer que é um bom conselho.

 Esperar que só o ChatGPT possa ser a marreta para quebrar os bloqueios criativos é superestimar demais a máquina, já que ela sozinha não pode ser realmente criativa. Ela repete padrões, analisa opções e pode gerar algo inusitado, mas não tem a intuição humana de associação de ideias através de sentimentos.

 Eu usei o Chat, assim como comentei em outra crônica, para escrever um livro inteiro. Através dele eu montei uma estrutura básica baseada numa ideia que tive, caracterizei alguns personagens e fui gerando um arco atrás do outro apenas usando ideias que me vinham à mente.

 De forma bem satisfatória, até que funcionou. A minha primeira visão do livro era bem positiva, apesar de um ou outro furo de roteiro, e eu estava pronto para fazer revisões e publicar aqui mesmo no Wattpad. No entanto, enquanto eu revisava, percebi a falta de tato que a máquina pode ter na hora de desenvolver uma narrativa. A artificialidade, a frieza, as repetições de certos clichês se tornam gritantes quando você quer que o texto seja minimamente crível. Isso me fez perceber o quanto eu não podia negligenciar o valor da escrita manual e humana. A minha própria, no caso.

A minha escrita pode ter problemas, e de fato tem muitos, mas ela é autêntica. Ela é guiada por uma intuição subjetiva que só seres humanos têm, e por isso soa muito mais verdadeira do que qualquer texto gerado por IA.

 No entanto...

Ah, no entanto...

 Depois que percebi que precisava voltar a escrever, já tinha se passado um mês inteiro que eu não tinha escrito nada e estava gastando todas as minhas ideias com o ChatGPT. E por mais que isso possa parecer um detalhe pequeno (talvez seja mesmo) foi fatal para a minha criatividade.

 Eu passei pelo mais longo período de bloqueio criativo desde que comecei a escrever.

 Eu não preciso entrar em maiores detalhes sobre isso, já que comentei sobre em uma crônica passada, mas posso pontuar que simplesmente não consegui montar nem um único parágrafo coerente durante esse bloqueio.

Parecia que eu tinha desaprendido a escrever. E por mais que eu tentasse tudo que já havia me inspirado no passado, não funcionava.

 Eu li, vi filmes, ouvi música, li mais um pouco, fiz meditação, tentei escrever, pedi ajuda ao chat, mas nada funcionava.

 Nada, a não ser desistir. E, curiosamente, acabou sendo isso que me ajudou.

 Quando eu desisti de escrever como escrevia antes e comecei esse livro de crônicas despretensiosas, as coisas pareceram voltar a funcionar.

 Querendo ou não, a escrita é a melhor meditação que existe para alinhar os pensamentos, e isso funciona inclusive para escrever outros textos.

Ou seja... Escrever para conseguir escrever.

 Pode ser difícil de se fazer no começo, mas se o próprio Stephen King, que é um escritor (mais ou menos) talentoso, recomenda escrever muito para escrever bem, dá para determinar que é o melhor exercício.

 Escrever manualmente sempre vai ser melhor que pedir para o ChatGPT gerar um texto automaticamente. Não só porque aprendemos melhor e temos mais ideia ao ter o texto nas nossas mãos, mas porque nossa própria criatividade atrofia se não a exercitarmos da forma correta.

 O Chat é uma boa maneira de dar asas à criatividade, mas não de criá-la, por isso, temos que ver ele como o que ele é: Uma ferramenta.

 Muitos artistas têm medo de não terem mais função por causa da IA. "A IA é melhor em fazer imagens, em criar textos e no futuro talvez até seja melhor em compor músicas". De fato ela é tecnicamente melhor, mas nunca vai ser mais criativa que um ser humano. E é isso que temos que ter em mente.


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