Hector e Heitor - 2

 — Hum... — murmurou, enquanto sentia o aroma do chá e bebeu um gole curto.

Dia fresco

Tranquilidade

Sossego

Quase um ritual

No entanto...

— Nossa, por que tem que estar tão frio? — Comentou ao entrar na cozinha. — Parece que meus dedos vão congelar.

— Não precisa exagerar, Heitor. — Heitor respondeu, com paciência. — Onde estão suas luvas?

— Desse jeito, nem luvas estão adiantando. — Disse, em seguida colocando as mãos nos bolsos do moletom.

Hector revirou os olhos.

— Você não tem jeito mesmo. Se tá calor, o problema é o calor, se tá frio, o problema é o frio. O que você quer, afinal?

— Só reclamação, eu acho — Heitor deu de ombros.

— Deviam abrir um concurso assim. — Heitor deu mais um gole no seu chá. — Você com certeza ganharia.

— Não me pergunte o porquê — Heitor pegou uma caixinha de leite na geladeira e despejou um pouco em uma caneca. — Acho que é um jeito de puxar o assunto.

— Eu queria entender essa necessidade sua. Às vezes ficar em silêncio faz bem, sabia?

— Você diz isso porque é antissocial. — Ele pôs a caneca no micro-ondas e esperou o leite esquentar. — Depois reclama que não conversa com ninguém.

— Eu não fico reclamando disso.

— Recupere sim.

— Só na sua cabeça! — Hector bebeu o resto do seu chá de uma vez. — Quando você me ouviu falando que me sinto isolado?

— Geralmente você fala dormindo.

Hector se engasgou.

— Sério isso?

– Claro. Quer que eu te mostre a gravação? — Heitor pegou sua caneca do micro-ondas e misturou um pouco de açúcar e café solúvel.

— Não é disso que estou falando. Você tem que parar com essa mania de ver os outros dormindo.

— Por quê? — Heitor se sentou e bebeu um gole de sua caneca. — Não estou fazendo mal a ninguém.

— Mas é esquisito.

— E o que que tem?

— Quer mesmo que eu responda? — Heitor encarou Heitor com ironia.

— Na verdade, sim. Eu nunca sei qual é o seu problema com isso.

— Ora, depois você não sabe o porquê de ter que achar maneiras de puxar o assunto, já que ninguém quer conversar com você.

— Uau! Você conseguiu sua resposta.

— Hã? De quê?

— Por que eu preciso puxar o assunto.

 Heitor dá um tapa na própria testa.

— Você não consegue prestar atenção no que eu digo nem por um minuto?

— Mas eu estou prestando! — Heitor se fez de ofendido.

—É? Então o que estávamos falando?

— Sobre você achar esquisito eu ver os outros dormindo.

— Bom, pelo menos ainda estamos na linha de raciocínio.

— Você tem umas preocupações esquisitas.

— Você que tem hábitos esquisitos.

Heitor o esquerdo de canto.

— Quer que eu te conte o que ouvi a Bel dizer enquanto dormia?

Hector voltou para ele, mas hesitou.

... Não.


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