Libertação das Telas
Originalmente, eu estava planejando escrever essa crônica lá pra quarta ou quinta feira, mas, já que o meu experimento acabou dando resultados bem antes do prazo, achei interessante adiantar para hoje.
Na quarta feira passada, ou quinta feira, já que era madrugada, eu decidi bloquear três aplicativos do meu celular. Três programas que você certamente deve conhecer. YouTube, Instagram e Facebook. Embora eu prefira chamá-los de "buracos negros virtuais".
Eu realmente estava precisando disso. Durante aquele dia eu tinha passado algumas horas não conseguindo fazer outra coisa além de rolar Reels infinitamente, e mesmo querendo parar para fazer algo mais produtivo, parecia que estava preso ali. A minha atenção, tão deteriorada por esse hábito, estava carente da metralhadora de dopamina, e não parecia que eu conseguiria mudar isso sem uma atitude drástica.
Eu estava viciado.
Claro, pode ser um exagero comparar isso com qualquer outro vício como álcool ou drogas, mas quando você não consegue largar um hábito simplesmente querendo, e se esse hábito prejudica você de alguma forma, não tem outro nome, é um vício.
Não é necessariamente ruim a liberação de dopamina que os Reel promovem. Se você assiste de maneira moderada para dar algumas risadas, é muito positivo, mas se isso começa a te deixar distraído demais e incapaz de terminar uma frase lembrando de como você a começou, talvez deva buscar outras maneiras de se distrair.
Hoje completa cinco dias que estou de jejum de vídeos, seja Reels ou outros mais longos no YouTube. A única exceção são filmes, séries ou animes, que, como um exercício de concentração, exigem uma atenção muito maior do que dois minutos de Reel, e geralmente não dá pra assistir fazendo outra coisa, como vídeos no YouTube. No começo, foi difícil. O habito de ter um vídeo de YouTube rolando ao fundo de tudo que eu estava fazendo já estava gravado na minha rotina, e nos meus primeiros dias eu tive que aceitar que não tinha o que fazer. Eu precisava dar plena atenção ao que estava fazendo, seja comer, lavar a louça ou guardar as roupas limpas.
Depois do primeiro dia, na verdade, eu já percebi uma melhora no meu humor e na minha atenção. Na verdade, eu até consegui notar que meu tempo não passou tão rápido quanto normalmente passava. Segundo as estatísticas do meu celular, eu gastava praticamente três horas por dia nesses aplicativos que bloqueei, e ter essas horas de volta foi estranho, mas muito satisfatório.
Embora ainda passe um pouco de tempo no celular (é inevitável), eu tenho feito coisas bem mais produtivas e edificantes, como ler, por exemplo. E para me distrair e dar umas risadas, a velha opção de rever todos os memes que eu já salvei na minha galeria acabou sendo uma boa alternativa. São doses agradáveis de dopamina que não deterioram sua atenção, e até servem como um bom passa-tempo entre uma atividade e outra.
A minha ideia original era fazer esse jejum por uma semana, mas depois desses resultados, fiquei tentado a deixar esses aplicativos bloqueados por tempo indeterminado, e só acessando os sites em momentos esporádicos pelo computador.
Eu particularmente recomendo isso, já que a sensação depois desse tempo é de libertação.
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