Nada
Sensação de anestesia
Sensação de vácuo
Sensação de nada
Ainda estou tentando dar um nome a essa sensação que tenho tido quando escrevo. É algo que não pode ter exatamente um nome que explique do que se trata, porque não é nada. Assim como o vácuo e o próprio nada. Até tem uma palavra que nos lembre do que se trata, mas ainda assim não dá pra explicar.
O que é o nada? É quando não existe alguma coisa. Mas aí não estamos falando de algo. Estamos falando da ausência de algum elemento que não é o ponto central da conversa. O nada é o vazio, o vácuo, a "coisa nenhuma", as lhufas, o zero, a inexistência (créditos ao dicionário de sinônimos por me dar tantas coisas que significam coisa alguma). O nada é o nada, e o nada é o que eu sinto quando estou escrevendo.
Antigamente, quando eu encostava a ponta do lápis no papel, eu podia não ter muita certeza do que escrever, mas, de alguma forma, as coisas fluíam, e eu conseguia dizer algo interessante mesmo que fosse sobre nada. Como todo bom escritor, que consequentemente é um embromador nato, eu conseguia dizer muito sem dizer algo de fato.
Talvez eu ainda consiga, quem sabe?
Talvez eu esteja fazendo isso agora mesmo?
E você esteja lendo algo sobre um não algo, esperando que eu diga algo de útil.
Desculpe te decepcionar, mas isso não vai acontecer.
Quando isso acabar, eu vou ter que revelar o óbvio. Que nada disso tem sentido. Que cada palavra que se formou no bater dos meus dedos no teclado do notebook tem apenas a função de tentar, e não necessariamente conseguir, acabar com o sentimento do nada, enquanto falo sobre ele como se fosse uma coisa, que é exatamente o que ele não é.
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