Uma Sobre Escola

 A escola é um ambiente complexo.

Se você perguntar a alguma pessoa se ela traz boas lembranças do tempo de escola, ou ela vai dizer que era uma época ruim em que ela sofria Bullying e era excluída, ou vai pontuar sobre como foi a época de seu ápice social, com muitos amigos e aventuras adolescentes.

 É normal de se pensar que poucas coisas mudam durante esse período da vida que todo mundo tem que passar, mas, pelo menos o meu, teve uma série de altos e baixos.

 Eu comecei na escola relativamente tarde, por conta da dificuldade que os meus pais tiveram de se estabelecer em algum lugar devido a problemas familiares. Eu praticamente pulei a pré-escola, e fiz a primeira série parte em uma escola e depois tive que me mudar para outra por conta do Bullying.

 Eu não era exatamente um perseguido, mas por conta de minhas diferenças físicas e falta de tato com outras crianças, era tratado como um estranho. Durante os primeiros anos eu tinha uma séria dificuldade em me relacionar com meus colegas, mas até que fiz alguns amigos. Um deles, um garoto matuto que morava no sítio, é meu amigo até hoje, mesmo quase 15 anos depois.

 Ao longo do fundamental I, eu era o menino quietinho que ficava no próprio canto. Eu ficava junto de um ou dois amigos no intervalo e, no geral, odiava ter que frequentar a escola todos os dias. Detalhe esse que mudou quando entrei no fundamental II. Quando cheguei na quinta série, eu comecei a pegar gosto pelo estudo e, resumidamente, me tornei um Nerd. Eu tirava boas notas e era muito querido pelos professores. E embora eu também tivesse alguns amigos nessa época, no geral não sentia muita simpatia vinda dos meus colegas de classe.

 Meus dois amigos, com quem eu mais passava os intervalos, eram de outra turma, e na minha, é possível dizer que eu era considerado metido e arrogante. O que em parte eu era mesmo. Afinal, eu já me sentia especial por ser um dos únicos alunos comportados da classe, e o fato dos professores me considerarem brilhante elevava meu ego até o teto.

 As situação ficou assim até eu chegar no colegial, quando meus pais decidiram que seria interessante eu mudar de escola, tanto por conta da minha relação com a minha turma, que fazia eu me sentir muito mal, quanto o fato da nova escola ser considerada a maior e melhor da cidade.

 Ao mudar pra lá, podemos dizer que uma das melhores épocas da minha vida começou. Eu continuava sendo um CDF, mas estava disposto (para não dizer determinado) a fazer amizade com os meus colegas, e acabou dando muito certo. Já no primeiro dia, eu descobri que estava na mesma classe que o meu velho amigo matuto que comentei mais cedo, então já havia ganho um amigo garantido, depois, com o passar dos dias, fui me divertindo bastante com alguns outros colegas. Havia outro CDF, como eu, a turma que se juntava do lado direito da classe, que eram aqueles adolescentes descontraídos, mas que ainda participam um pouco das aulas, e a turma do lado esquerdo, que eram os que não estavam nem aí pra nada (com esses eu acabei não fazendo amizade).

 Era um clima muito bom, e quase sempre eu chegava em casa rindo por algum motivo.

Posso citar alguns acontecimentos clássicos dessa época, como cantar juntos modões sertanejos entre as aulas, trocar memes, fazer piadinhas de tudo, participar muito das aulas, conversando com os professores sobre os temas, profundos embates políticos (Já que eu e meu outro amigo CDF éramos de opiniões opostas), e as vezes até algumas brincadeiras físicas.

 Minha mãe com certeza se lembra de quando cheguei em casa praticamente branco e com o braço inchado porque o meu amigo matuto me empurrou contra o batente da porta e eu bati o ossinho do antebraço nele. Poucas vezes eu senti tanta dor. Foi tanta que até caiu minha pressão. Mas foi só um acidente em uma brincadeira absolutamente saudável, então não tinha porque fazer caso disso.

 No meio do ano, chegou o meu aniversário, e eu estava tão feliz que convidei minha turma toda para ir na festa. Comprei salgadinhos, bolo, e deixei tudo preparado, no entanto, quando chegou o dia, apenas um dos meus amigos foi. Não vou mentir, aquilo me deixou um pouco magoado. Ao ponto que, no ano seguinte, eu decidi que não faria festa, apenas convidaria os meus verdadeiros amigos para sairmos e comermos alguma coisa. Com certeza posso dizer que não guardo rancor.

Mas, voltando ao primeiro ano, eu gosto de pensar que aquela foi a época com mais momentos felizes, já que eu realmente me conectei com meus colegas e senti que não estava mais sozinho, porém, ainda que isso tenha se mantido no segundo ano, a minha dificuldade de lidar com certos assuntos me jogou numa espiral de sentimentos ruins, como lidar com garotas, mas esse é um assunto que prefiro deixar para depois.

 O caso é que, eu posso não ter aproveitado do modo ideal, mas quem realmente vive o ideal? A minha vida escolar começou confusa, e terminou como no começo, mas pelo menos eu fiz muitas coisas que sempre quis fazer, como fazer apresentações musicais com uns colegas, sair com amigos, rir, compartilhar momentos. Coisas que ainda me dão algum calor no coração quando relembro.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

BEM-VINDO

Batendo a Cabeça

Sozinhas no Celeiro - Capítulo 5