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Mostrando postagens de dezembro, 2025

Justo Do Lado Dela

   Quando a aula acabou, eu subi no ônibus com o ânimo de uma batata, já que era sempre quase impossível conseguir um assento livre na hora de ir para casa.  A minha escola era o terceiro ponto por onde ele passava, então você deve imaginar que era um hábito passar a viagem toda pendurado nas alças do teto. Porém, surpreendentemente, dessa vez havia um lugar vago, mas tão rápido quanto o sorriso surgiu no meu rosto, minha expressão azedou ao ver ao lado de quem eu teria que sentar.  Com o rosto apoiado no vidro da janela e um par de fones nos ouvidos, Amanda Sandero, a colega de classe mais insuportável que se pode imaginar, estava ali, completamente alheia à minha existência. Exatamente do jeito que ficava quando não queria conversar com ninguém.  Eu tentei olhar em volta e procurar algum outro lugar vago, mas não havia nenhum. Querendo ou não, teria que sentar ao lado dela. Então apenas fui, repetindo para mim mesmo o pensamento consolador de que, quanto antes...

Um Jogo De Ping Pong

  — Vai, cuidado! — Alex gritou, enquanto Pedro rebatia a  bolinha que quase havia caído para fora da mesa. — Essa foi por pouco —  o garoto comentou ao ver a bolinha avançar para o outro lado e rapidamente ser batida de volta pela sua adversária. — Você pode resistir, jovem gafanhoto, mas não por muito tempo! — Kim Tomikawa declarou, com os olhos afiados pelo desafio.  O jogo estava intenso, e o resto da turma, que há poucos minutos estava apenas conversando espalhado pela classe, agora estava reunido em torno da mesa do professor, onde aquele jogo de ping pong improvisado estava se desenvolvendo.  A mesa era grande. Não tão grande quanto uma mesa de ping pong de verdade, mas era grande, e usando alguns cadernos como rede improvisada, os dois jovens estavam em uma competição acirrada, com seus pontos praticamente empatados.  A bolinha, que havia sido tirada de uma embalagem vazia de desodorante roll on , voava de um lado para o outro sendo seguida pelos ol...

Adeus

  A despedida já havia acontecido. Uma reunião com os amigos, algumas porções de batatas e frango frito, e muitas risadas. Risadas que vazias, opacas. Algo que não me trazia qualquer sensação de conforto.  Por que ficaram tão felizes? Porque parecia que não estava realmente mal com aquilo?  Bem, talvez só eu não tenha conseguido sentir orgulho dela. A única coisa que poderia ver era a falta que ela faria. A falta das risadas sinceras, do jeito carinhoso e responsável com os amigos, do olhar meigo, das suas mãos acariciando meu rosto, dos seus lábios rosados ​​sorrindo pra mim.  Não… eu tenho orgulho dela, sim. Estou feliz que ela vai poder seguir seus sonhos, fazer uma faculdade das mais renomadas, mas não posso fingir que não sinto todo o resto. Eu forço um sorriso, finjo um semblante animado, mas por dentro, só quero abrir contra mim e não soltar mais. Não deixe que ela vá.  Ao final de tudo, quando os outros foram embora, eu caminho com ela, a levar até sua c...