Justo Do Lado Dela
Quando a aula acabou, eu subi no ônibus com o ânimo de uma batata, já que era sempre quase impossível conseguir um assento livre na hora de ir para casa. A minha escola era o terceiro ponto por onde ele passava, então você deve imaginar que era um hábito passar a viagem toda pendurado nas alças do teto. Porém, surpreendentemente, dessa vez havia um lugar vago, mas tão rápido quanto o sorriso surgiu no meu rosto, minha expressão azedou ao ver ao lado de quem eu teria que sentar. Com o rosto apoiado no vidro da janela e um par de fones nos ouvidos, Amanda Sandero, a colega de classe mais insuportável que se pode imaginar, estava ali, completamente alheia à minha existência. Exatamente do jeito que ficava quando não queria conversar com ninguém. Eu tentei olhar em volta e procurar algum outro lugar vago, mas não havia nenhum. Querendo ou não, teria que sentar ao lado dela. Então apenas fui, repetindo para mim mesmo o pensamento consolador de que, quanto antes...