Sozinhas no Celeiro - Capítulo 6

 Nuvens Sob Um Céu Estrelado

"Diário de bordo 006"

"Devo admitir que muitas das coisas que aconteceram nos últimos dias foram bastante surpreendentes (ou até mesmo confusas vendo de certo modo)."

"Lápis e eu estamos passando mais tempo juntas e praticamente começamos a experimentar melhor as possibilidades que o nosso celeiro oferece. Desde o meu último registro no diário, nós terminamos o nosso jogo de batalhas espaciais, desenhamos, lemos e até tentamos cozinhar. E mesmo que esta última experiência tenha, digamos, dado um pouco errado, é notável que Lápis está se abrindo cada vez mais para a nossa nova vida."

"Na verdade, Lápis quase age do mesmo jeito que eu agi nas minhas primeiras descobertas. Eu consigo entender que essas coisas de humano sempre vão parecer estranhas a primeira vista. Tanto que quando apresentei os livros ou os papeis para desenhar, Lápis primeiro pareceu distraída ou sem entender como essas coisas poderiam ser interessantes. Mas, aos poucos ela acabou criando um interesse próprio e buscando por si mesma cada uma dessas coisas."

"E tenho que deixar relatado: O melhor interesse dela até agora foi o de cozinhar. Eu já havia tido alguma curiosidade para saber como era preparar algo e comer, mas isso parecia tão estranho e exótico para seres como nós que apenas deixei a ideia de lado. Porém, Lápis ficou fascinada ao ver na TV pessoas mostrando inimaginável prazer em comer coisas como Hamburgueres ou Donuts, e logo me chamou para procurarmos algo para cozinhar."

"Bem, até que foi relativamente fácil encontrar coisas que poderíamos colocar no fogo. Como estamos no campo, trouxemos um pouco de cada coisa que achamos nas plantações próximas. Quando voltamos para o celeiro, com Lápis cheia de entusiasmo, nós tentamos de tudo que era jeito cozinhar os legumes que trouxemos, mas simplesmente não sabíamos como. Tentamos colocar batatas na brasa, beterrabas em cima de um fogo alto, tomates numa panela seca, mas tudo terminava queimado, torrado ou chamuscado."

"A única coisa que conseguimos fazer, e que nos deixou muito animadas pela conquista, foi o milho. Nós tomamos cuidado com ele e o colocamos em uma panela de água em cima do fogo e deixamos o líquido borbulhar. Depois de alguns minutos, vimos que os grãos da espiga já tinham ficado mais macios e tiramos do fogo para experimentar. Eu, por não saber como se comia aquilo, mordi e tentei engolir um pedaço inteiro da espiga, o que me fez engasgar e ter uma crise de tosse que nem imaginava que uma gem poderia ter. Já lápis, sendo mais cuidadosa, foi tirando com os dentes os grãos amarelos em volta da espiga e, por fim acabou rindo da minha falta de ar."

"Foi uma situação que deixou minhas bochechas queimando e minha barriga formigando de novo, mas não posso negar que foi divertido. Essa é a melhor parte de fazer essas coisas com Lápis, não tem como não se sentir bem mesmo numa situação em que as coisas não saem bem como planejado."

"Por hoje é só."

"Peridot desliga."

Não consegui evitar de rir um pouco ao lembrar dessas coisas que fizemos juntas. Lápis é realmente uma companhia incrível. Porém, eu senti uma coisa estranha no celeiro quando terminei minha gravação, estava tudo muito quieto. Foi quando percebi e me perguntei: "Onde está a Lápis?"

Olhando em volta, ela não estava vendo TV, dormindo, sentada perto do baú, nem mesmo em cima das plataformas elevadas. Então eu fui procurar do lado de fora e, para a minha surpresa, Lápis estava deitada em cima do telhado do celeiro, de modo que só consegui vê-la me afastando um bom tanto dele. Porque ela havia ido para lá? Será que queria um tempo sozinha? O melhor que pensei em fazer foi subir lá e ver como ela estava.

Chegando ao telhado, eu pude ver Lápis deitada confortavelmente como se estivesse dormindo ou tomando um suave banho de sol. Eu me aproximei devagar sem fazer muito barulho e escorreguei até conseguir ficar deitada ao lado dela. Foi quando ela me notou.

- Ah... Oi, Peridot - Disse ela - O que faz aqui? Aconteceu alguma coisa?

- Não - respondi baixinho - Eu só vi que você não estava lá embaixo e vim ver se estava tudo bem.

- Estou bem sim, só subi para ver melhor o pôr do sol - Comentou voltando seu olhar para frente - É muito bonito, não é?

- É mesmo... - respondi, visualizando o poente mas sem prestar muita atenção. Ao contrário daquela luz amarela que ofuscava meus olhos, o que mais estava chamando a minha atenção era essa característica que Lápis aparentava ter desde antes de começarmos a morar juntas. Sempre que parecia cansada, assustada ou mesmo pensativa, ela sempre ficava do lado de fora do celeiro com os olhos levemente voltados para cima, como se estivesse admirando ou desejando algo.

Talvez fosse Homeworld, ou uma colônia distante de Gems terraformadoras, ou talvez só um planeta onde ela quisesse estar agora. Não sei. O caso é que eu não conseguia mais tirar essa pergunta da mente. Ela latejava insistente entre os meus pensamentos quase me obrigando a dizer: - Por que Lápis tem tanto fascínio pelo céu?

- O que disse, Peridot? - Indagou Lápis.

"Por mil estrelas, eu disse isso em voz alta?" pensei, desesperada. Agora eu teria que perguntar de qualquer forma. Só espero que ela não pense que eu esteja sendo intrometida demais.

- É... É que eu estava pensando - Falei, me acalmando - O tempo que você ficou no silo, os momentos que vem para fora, o seu desenho do pôr do sol... essas coisas fizeram eu me perguntar porque você olha tanto para o céu. Sempre que você pode, parece que está observando alguma coisa especial lá em cima.

- Ah, sim - murmurou Lápis - é algo difícil de se explicar...

- Está sentindo falta do planeta natal? - Perguntei,

- Não... não é isso - Respondeu, erguendo o corpo e se sentando ao meu lado.

- É de algum lugar que sente falta?

- Não exatamente... não se trata de falta de um lugar - Lápis olhou para o nada, parecia estar pensando - Olha... - disse, erguendo o corpo e se sentando ao meu lado.- Acho que a melhor forma de explicar isso... é mostrando a você...

Diante de mim, Lápis se levantou, se espreguiçou esticando as costas e os braços e em seguida se voltou para mim - Venha - Disse me estendendo a mão - Vou te levar para um passeio.

- Como assim? - Perguntei sentindo minha barriga formigar de novo. Para onde ela pretendia me levar?

- Só pegue minha mão, você vai entender quando ver com seus próprios olhos.

Eu segurei na mão dela e de repente um par de asas de água surgiu nas costas de Lápis. Ela se moveu para trás de mim e pegou minha outra mão, me elevando junto com ela a medida que batia as asas.

Ao se sentir mais segura de que não me deixaria cair, Lápis deu batidas fortes com as asas e se ergueu rapidamente à altura das nuvens, deixando a baixo de nós a visão de todo o campo e de nosso celeiro solitário. Estávamos indo na direção que o vento nos levasse.

Naquela altura, visualizando o poente, não tinha como não se impressionar. O azul claro do dia já havia desaparecido e agora haviam três cores que dominavam a céu, o azul escuro da noite que surgia em um lado, o amarelo avermelhado dos últimos raios de sol do poente no outro lado e uma mistura simplesmente linda que dividia as mesmas. Era algo tão perfeito de se admirar que parecia mais um quadro pintado com muita delicadeza do que um simples ato da natureza. E estando tão longe do chão, eu quase tinha a sensação de poder tocar aquelas cores.

Lápis então parecia ter escolhido uma direção e fomos voando em uma velocidade nem tão rápida nem tão lenta. Abaixo de nós, a medida que escurecia, era cada vez mais difícil de ver o chão, a única coisa que eu conseguia ver era uma pequena e luminosa cidade construída atrás de um grande morro que era cercada pelos dois lados pela água do mar. Era Beach City, a cidade onde Steven mora. Daquele ponto de vista, aquela cidade parecia uma pequena ilha de luz em um mar de escuridão. Eu me sentia estasiada ao mesmo tempo que tinha um leve medo de cair daquela altura.

- O que acha? - Perguntou Lápis.

- É incrível - Respondi - entendo porque você gosta tanto de voar. Ver as coisas daqui de cima é...

- É uma sensação boa - completou ela - Mas não é isso que eu quero te mostrar.

- E o que é? - Perguntei me esforçando para olhar a Gem que me segurava.

Como resposta, Lápis me puxou para cima e me soltou. Aquilo me deixou momentaneamente apavorada, mas com um movimento rápido, Lápis passou por baixo de mim e fez eu me agarrar em suas costas.

- Por favor, nunca mais faça isso - Falei, ofegante e abraçando ela com força.

- Me desculpe - respondeu ela ao mesmo tempo sorridente e desconsertada - Prometo que aviso na próxima vez.

- tudo bem, não tem problema - comentei, um pouco mais tranquila.

- Se segura - Disse Lápis.

De repente, ela deu mais um impulso forte e pude sentir que fomos ainda mais alto no céu. Lentamente, depois que ela diminuiu um pouco a velocidade, eu fui me soltando devagar das costas dela e me sentei de modo que conseguia ver melhor onde estávamos. Foi quando me dei por mim mesma e tudo o que estava ao nosso redor.

Enquanto voávamos acima de uma imensa e homogênea camada de nuvens, havia uma infinita gama de estrelas brilhantes acima de nós que se destacavam do azul celeste onde estavam, ao mesmo tempo que iluminavam junto a lua cheia prateada tudo que estava abaixo. Eu fiquei paralisada, era uma visão que jamais imaginava ter na terra. Sob os meus pés, as nuvens pareciam formar um campo de colinas brancas que se estendiam até onde a vista podia alcançar. E sendo iluminadas pela luz da lua, aparentavam ser um chão macio feito de algodão.

- Eu nunca pensei que pudesse haver um lugar tão lindo assim na terra - Comentei.

- Eu disse que você entenderia quando visse - comentou Lápis - Está vendo o céu?

- Sim - Respondi voltando meu olhar para cima. Com meus olhos sob aquela imagem, eu fiquei simplesmente maravilhada diante de uma gama tão perfeita de estrelas e luzes de brilhante espalhadas por toda a abóboda celeste. Como se estivessem coladas e presas naquele fundo azul escuro, as estrelas traziam consigo a energia da imensidão do universo e de sua beleza além da imaginação.

- Ele foi a única vista que tive enquanto estava presa dentro do espelho - Disse ela - Durante cinco mil anos eu fiquei trancada atrás de uma parede de vidro que me separava de tudo que havia no universo. Eu podia ver a minha casa, as colonias, as estrelas que poderia ter visitado. Tudo o que havia no infinito do cosmo estava bem ali diante de mim, me chamando, me lembrando a todo momento que tudo o que eu queria era poder viajar por ele de novo... mas estava fora do meu alcance.

Ela fez uma pausa e depois continuou:

- Depois de tantos milênios olhando para o céu, vendo o movimento lento das estrelas e toda aquela imensidão, eu criei uma espécie de atração estranha por ele... Eu sei que é difícil de entender, mas para mim, desejar o céu era o mesmo que desejar a liberdade, e cultivar esse anseio irrefreável de poder correr livre por ele novamente foi o que mais aliviou o meu sofrimento... Então, mesmo que agora eu esteja livre, sentar no chão e olhar para o céu ainda consegue me trazer um alívio incomparável. É algo que me traz paz esperança para continuar viva. Aliás, digo que consegue ainda mais agora, já que agora eu sei que ele não está fora do meu alcance.

- Eu entendo - comentei vagamente - isso foi lindo.

Do nada, eu pude sentir uma pequena lágrima quente escorrendo no seio do meu rosto. O que era isso que eu estava sentindo?

Nós ficamos em silêncio por uns minutos, Lápis continuou voando por cima das nuvens e uma vez ou outra conseguíamos ver uma cidade ou apenas algumas luzes pelos buracos que elas não conseguiam tampar. Então eu disse:

- Lápis...

- O que?

- Muito obrigada por ter me mostrado isso...

- Eu que agradeço... por buscar me entender.

***

Quando voltamos para o celeiro mais tarde, ainda estava de noite e ambas estávamos cansadas. Lápis pousou na porta e me colocou com cuidado no chão. Eu não estava conseguindo prestar muita atenção no que estava acontecendo a minha volta, praticamente ainda estava hipnotizada por toda aquela vista do passeio, mas pude ouvir Lápis dizer que ia se deitar um pouco no sofá e talvez dormir.

Em resposta quase que automática, eu apenas confirmei e voltei minha atenção aos meus pensamentos. As coisas que eu estava sentindo eram difíceis de se explicar. Lápis havia acabado de me mostrar um detalhe muito íntimo dela, praticamente me contou qual era o seu mais forte pilar emocional. Isso tinha deliberadamente mexido comigo. O que será de nossa amizade a medida em que formos mostrando uma a outra quem realmente somos?

Pensando sobre isso, eu voltei meu olhar para o céu noturno acima do celeiro. Estava nublado, talvez fosse chover em breve. Olhando daquele ponto de vista, era incrível imaginar que acima daquela camada cinza escura havia um céu estrelado tão claro e lindo. Um céu que deixaria qualquer um paralisado de tanta admiração. Essas são sem dúvida coisas que tornam a Terra o planeta mais impressionante do universo. É um planeta que muda, que transforma e que esconde beleza em cada uma de suas faces.

Assim, com um sorriso no rosto, eu retornei para dentro do celeiro e fui fazer algo para me distrair enquanto Lápis dormia. Passado-se alguns minutos, talvez horas, um clarão de luz forte surgiu do céu e invadiu o celeiro seguido de um trovão alto e retumbante. Isso me causou um pequeno susto, mas para mim era um som comum e sinal de uma vindoura tempestade. já nem lembrava quando havia sido a última vez que tinha chovido no interior, então era bem animador ver aquele fenômeno natural novamente sem ter medo de que fosse a drusa ou algum desastre.

Porém, não parecia ser o que Lápis sentia. Naquele mesmo instante, tão rápido quanto veio o primeiro trovão, Lápis deu um salto assustado do sofá e demonstrava no rosto uma expressão tão preocupada que eu quase pensei que ela nunca havia visto uma tempestade. O que era improvável, eu imaginei, ela passou tanto tempo com o espelho virado para o céu da galáxia warp que com certeza já havia visto uma chuva.

Em seguida, para a minha surpresa, assim que ouviu um segundo trovão que seguia outro clarão de luz, Lápis pulou da plataforma elevada onde ficava o sofá e veio para perto mim. Com um grito involuntário, ela parecia querer ficar perto, mas não sei se era para se esconder ou me proteger.

- Você está bem, Lápis? - Perguntei.

- Não - Respondeu ela com a voz trêmula - O que está acontecendo?

- Lápis, está tudo bem - falei - isso é só...

De repente, outro trovão estremeceu o céu carregado sendo logo seguido por uma rajada de chuva forte e fria. Lápis, sem saber o que fazer com seu medo, correu para um dos cantos do celeiro e se sentou encolhida com a cabeça enterrada entre os joelhos. Por uns minutos eu fiquei confusa vendo aquela situação, mas logo me veio a mente um insight que me lembrou de uma peculiaridade de centrais de portais como a Galáxia Warp. Como aquele lugar concentrava pontes para muitas regiões distantes do espaço, até Homeworld, provavelmente a energia dos portais impedia a formação de nuvens acima dele. O que quer dizer que Lápis pode muito bem nunca ter visto uma tempestade ou uma simples chuva.

Sendo assim, Lápis estaria se sentindo da mesma forma que eu me senti diante desse fenômeno terrestre. Estava com medo e sentindo como se estivesse a mercê de uma força misteriosa e incontrolável, mesmo sendo feita de água. Eu a entendia perfeitamente. Na verdade, eu era a única pessoa que poderia ajudá-la a se sentir mais confortável com isso.

Com cuidado para não assustá-la eu me aproximei e me sentei ao seu lado. A cada golpe dado pela água contra a madeira do celeiro, podia-se notar que ela tremia e murmurava gemidos baixinhos de medo enquanto se encolhia ainda mais. Estava realmente apavorada.

- O mundo está acabando? - perguntou ela, sussurrando.

- não, não - respondi em tom compreensivo - está tudo bem, Lápis, só está chovendo... É algo normal que acontece na Terra. Não pode te fazer mal.

- isso é..?. - novamente fomos interrompidas pelo som estridente de um trovão.

A sua luz irradiou sobre nós deixando Lápis ainda mais assustada. Tanto que, com o solavanco do susto, ela agarrou o meu braço e apertou com força, como se implorasse que eu fizesse algo.

- parece que o céu está com raiva de mim - murmurou.

- Fique calma - falei, tirando suas mãos do meu braço e segurando-as com as minhas delicadamente - Eu estou aqui. Eu protejo você.

Lápis se voltou para mim com seus olhos assustados e assentiu. Parecia estar um pouco mais tranquila. Mas eu podia perceber pela força que ela apertava a minha mão à cada rajada de chuva que ainda não estava bem. "O quão difícil seria confiar em alguém num momento de medo depois de ter sido traída tantas vezes?" Me perguntei.

A insegurança de Lápis poderia ser qualquer coisa, mas com certeza não era injustificada. Ela sofreu tanto estando na Terra que seria mais absurdo se ela não tivesse medo algum de certas coisas do que estar nessa situação. Quem sabe se ela poderia acabar presa de novo ou refém de alguma força muito além da própria? Pensar na terra assim é bem assustador.

Com isso em mente, eu comecei a cantar uma canção que havia ouvindo na série do acampamento dos corações amorosos. Uma que falava sobre a natureza e a beleza das coisas que tem nela. Bem, eu não sou uma cantora tão boa quanto o Steven, mas creio que consegui deixar o ambiente mais agradável para ela. À medida que eu cantarolava a melodia com suavidade, Lápis parecia ir se relaxando e apertando cada vez menos a minha mão.

Lentamente, quase como se eu não percebesse, Lápis se abaixou por baixo do meu braço e deitou a cabeça no meu colo. Ainda segurando a minha mão, ficamos de um jeito que qualquer um diria que eu estava abraçando ela. Aquilo fez a minha barriga formigar de novo (Ela realmente confia em mim?), mas do jeito que estava, até seria melhor que eu fizesse isso, minha colega estava com a pele fria e ainda tremia um pouco. Não que nós Gems precisássemos nos esquentar, mas se sentir aquecida sob uma friagem era com certeza reconfortante. Sendo assim eu apenas espantei os pensamentos de insegurança e me deixei levar.

Com um gesto leve, eu puxei Lápis para mais perto de mim e cuidei para que meu colo fosse o mais aconchegante possível. Enquanto uma de minhas mãos estava entrelaçada com a dela, a outra foi quase que involuntariamente se juntar aos seus macios cabelos azuis, acariciando sua cabeça. Eu só queria que ela se sentisse bem, e parecia estar dando certo. Em poucos minutos ela parou de tremer e, mais um tempo depois, acabou adormecendo.

Sozinha de novo com os meus pensamentos, eu percebi que estava com aqueles sentimentos estranhos de novo. O que era aquilo? Eu estava me sentindo incrivelmente bem por ter estado ali pela minha colega, pela minha Gem (o que estou dizendo?). Fazer ela se sentir bem, protegida e segura era algo que eu sentia querer desde que a conheci, mas era estranho. É como se esses sentimentos sempre estivessem ali mas só tivessem sido despertos agora. "O que é isso? O que é isso que é tão difícil de explicar?"

Antes que eu conseguisse pensar numa resposta, acabei dormindo também.

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