Sozinhas no Celeiro - Capítulo 9

 O Último Diário de Bordo

"Diário de Bordo 009"

"Eu preciso manter a calma, isso é o mais importante... melhor, eu deveria manter a calma, mas não tem como. Acho que nem quando xinguei a Diamante Amarelo na cara eu me senti assim. É algo sufocante, perturbador e, principalmente, imobilizante."

"(Suspiro e me acalmo)... Eu não sei o que fazer. Achava que sabia, mas... Eu não sei."

"Há poucos dias eu consegui ir o mais longe que podia na proximidade com Lápis. Eu a beijei e isso foi simplesmente incrível. Todos os sentimentos e sensações que explodiram em mim naquele momento foram inexplicáveis e ainda agora eu me vejo tendo eles de novo ao relembrar do ato. Mas mesmo assim... Eu não me sinto capaz de falar com Lápis sobre isso."

"Naquela noite, eu fiz o que fiz e depois, do nada, apenas fugi do assunto como uma covarde medrosa que não é capaz sequer de assumir o que sente. E depois disso, eu pensei que poderia falar sobre o que houve melhor quando a situação se acalmasse e eu me sentisse menos afobada. Mas não foi o que aconteceu."

"Enquanto imaginei que conseguiria conversar sobre isso com Lápis no dia seguinte, na realidade eu acabei fugindo de novo, como se quisesse evitá-la. Mesmo vendo que Lápis queria que conversássemos. Em meus pensamentos isso parecia tão fácil. Era só me levantar, olhar para ela e dizer: 'Lápis, eu quero falar com você sobre ontem'. Mas meu corpo não permitiu. Minha insegurança não permitiu. Só de estar diante dela eu já podia sentir minha garganta travar, minha barriga formigar e minhas mãos esfriarem."

"E para piorar, me parece que a segurança que Lápis tem sobre isso está acabando. Aos poucos aquele sorriso provocador que começou na noite que nos beijamos está desaparecendo e dando lugar a um olhar triste e desapontado. Ela está esperando que eu faça algo. Esperando que eu tome uma atitude, mas ninguém pode esperar para sempre. E pra ela certamente essa espera está começando a ficar frustrante. Ainda mais somando ao fato de que simplesmente fingimos que aquela noite não aconteceu."

"Eu preciso fazer alguma coisa! Preciso pensar em uma maneira de driblar os meus impulsos de fuga e olhar nos olhos dela e... não falar, mas fazer de novo. Sim! Usar aquela mesma demonstração humana de afeto para mostrar ela e, depois disso, não fugir. Falar pra ela que eu, Peridot 5XG, Crystal Gem da Terra, a amo. Tanto quanto Pierce ama Paulete ou quanto Garnet ama... a si mesma."

"(Ah, falar isso faz parecer tão fácil hihihi. Mas estou convicta que é o que vou fazer.)"

"Por hoje é isso"

"Peridot desliga."

 Ao terminar de gravar o diário, eu me deitei no sofá e fiquei um bom tempo olhando para o teto do celeiro. Eu queria começar já a pensar num meio de abordar Lápis, mas minha cabeça estava vazia. Meus pensamentos estavam flutuando e só o que conseguiam ver eram aquelas nuvens iluminadas pela luz da lua do passeio noturno meu e de Lápis. Visualizar aquilo conseguia me deixar bem mais calma.

 Ainda era cedo, eu havia acabado de acordar e de descobrir que Lápis não estava no celeiro. Isso me deixou preocupada, mas logo depois descobri que não era nada demais. De acordo com um bilhete deixado ao lado da minha cabeça no braço do sofá, Lápis tinha ido sair com o Steven, que veio ao celeiro e a convidou para ver uma surpresa em Beach City.

 Mas o que isso poderia ser? E porque ela não quis me chamar e me levar junto? Não sei. É difícil dizer o quão complicadas as coisas estão entre nós, principalmente porque nenhuma de nós admite. E uma das coisas que mais tenho medo, é que essa minha atitude medrosa acabe estragando de vez nossa convivência. Se isso acontecer, simplesmente não vou saber o que fazer. Vou pedir ao Steven para me deixar voltar a morar no banheiro? Parece uma boa opção, mas eu não quero isso.

 Na verdade, a melhor ideia é aproveitar esse tempo para pensar numa maneira de resolver esse problema. É o que tenho que fazer, porque não posso deixar que Lápis pense que estou fazendo ela de trouxa. Eu sou uma Peridot resistente e corajosa que, na próxima vez que for enfrentar Homeworld, será com Lápis Lazuli ao lado! (Bom, talvez eu tenha exagerado um pouco nessa parte, mas deu para entender o conceito - Eu não quero levar Lápis para outra guerra tão cedo :'3)

 Enfim, como posso criar outra situação que nos leve à um beijo? hum... Poderia convida-la para assistir série de novo, mas isso com certeza deixaria o clima mais estranho do que amigável. Poderia preparar algo para comermos com os vegetais da nossa plantação, mas com certeza um beijo com a boca cheia de milho e  cenoura seria estranho. Ou talvez pudéssemos cantar outra música, mas isso não só demoraria como também seria difícil beijar enquanto se está usando a boca para cantar...

 Caramba, teria que ser uma situação perfeita. Algo que com certeza exigiria um PeriPlano elaborado e aprova de formigamento na barriga.

 Bem, pelo que Lápis havia falado no bilhete, ela estará de volta ao anoitecer, ou seja, quando já estiver escuro. Então posso descartar desenho, leitura e coisas assim. Eu posso talvez convidá-la para um passeio noturno... mas não, ela já estaria cansada do passeio com o Steven. Isso seria mais um incomodo do que um momento agradável. Então talvez pudéssemos jogar video-game... Não, estaríamos muito agitadas para fazermos outra coisa.

 Ah, já sei!  Eu poderia apenas chamá-la para se deitar comigo no gramado do lado de fora e olhar as estrelas. Ela com certeza iria gostar disso. Já que não só faria ela se sentir confortável como provavelmente me deixaria mais tranquila para falar sobre sentimentos. 

 Porém, ainda tem a possibilidade de eu travar... Nesse caso, acho que eu deveria usar um tipo de gatilho para me obrigar a falar. Algo como um bilhete ou um gesto para Lápis puxar conversa comigo. Eu talvez possa apenas beliscá-la ou... sei lá, escrever uma plaquinha dizendo que quero conversar sobre algo importante. Talvez deva usar as duas coisas. Mas isso parece tão complicado e desnecessário

 Não! Já sei, eu poderia dar um presente para ela. Algo como uma comida que ela goste ou uma peça de roupa que com uma mensagem dizendo o que sinto. Daí eu poderia me sentir mais confortável e também me entusiasmar com a reação de Lápis. Assim poderíamos conversar com mais descontração.

 Pensando bem, no tempo que tenho até a Lápis voltar, eu posso pintar uma estampa de camisa para ela. Algo que simbolize ela e, ao mesmo tempo, a nossa amizade. Acho que mesmo eu não sendo uma boa desenhista, posso me esforçar para fazer algo bonito e sentimental. Isso seria perfeito.

 Então bem, é melhor eu começar. Tenho que achar tinta e pegar uma camisa no baú que tenha uma cor boa... ou posso pegar apenas essa que eu tenho usado nos últimos dias enquanto estou de saco cheio dos modificadores de aparência. 

***

Quando Lápis chegou no celeiro, logo depois que anoiteceu, eu já estava muito entusiasmada para conversar com ela. Eu havia preparado tudo, incluindo a camisa pintada e até as falas de como explicar de forma coerente o que estava sentindo. Porém, assim que vi a minha colega, todos os meus planos pareceram inconvenientes e inúteis para a situação.

 Lápis estava bem abatida e o rosto dela parecia trazer de novo aqueles mesmos sentimentos de quando ainda ficava no todo do silo. Desesperança, medo, melancolia. Tudo isso estava estampado no olhar e na expressão dela. Algo havia acontecido e com certeza não foi bom.

 - Você está bem Lápis? - Perguntei correndo na direção dela - Aconteceu alguma coisa?

- Estou bem... - Disse evitando me encarar - Não é nada.

- Lápis... Sabe que eu me preocupo com você, não é? - Falei, com incerteza na voz, o que com certeza não era bom para o momento - Se aconteceu alguma coisa,  você pode me contar. Eu sou sua amiga, quero te ajudar.

- Não precisa, obrigada.- Lápis passou por mim como se eu não estivesse ali - Acho que quero só dormir um pouco.

 Aquilo me deixou ainda mais perturbada. Já não bastava eu causar frustração nela por ser uma gem sem atitude, ainda tinha que acontecer algo que piorasse tudo.

 Como ainda estava convicta de resolver as coisas, incluindo sentimentos ruins causados por outras razões além de mim, eu segui Lápis até o sofá. Ela se deitou encolhida no assento e, tentando esconder o rosto com as mãos, começou a soluçar. Estava chorando.

- Lápis...

- Ela voltou! - Disse ela, com a voz tremula - A Jasper.

- O que? - Perguntei, incrédula - Como assim a Jasper voltou?

- Eu estava com o Steven em um barco no mar e do nada ela surgiu do fundo - Respondeu - Dizendo que queria... se fundir de novo comigo.

- Por minhas estrelas! - Exclamei, levando as mãos à boca - Ela tentou te obrigar?

- Não - Lápis se acalmou um pouco - Ela só pediu. E eu senti vontade também, como se sentisse falta daquilo. Não sei o que estava acontecendo comigo. Só de pensar naquela... - Ela voltou a soluçar - Naquela escuridão, naquele sufoco... Peridot...

- O que? - De repente, Lápis se levantou e me agarrou em um abraço muito apertado, como se quisesse me prender ou se segurar em mim.

- Eu não consigo suportar - Disse ela caindo em lágrimas de novo - É tanta dor, é tanto peso... Eu preferiria ser estilhaçada do que me tornar a Malaquita de novo. Mas mesmo assim eu quase cedi, quase aceitei.

- Calma... Calma... Tudo bem - Falei docemente enquanto abraçava ela de volta. Ver minha Lápis desse jeito me machucava demais. Eu amava ela, queria proteger ela, não podia permitir que houvesse algo que a deixasse tão assustada.

- Peridot - Chamou Lápis, vagamente - Promete que nunca vai sair de perto de mim? Que sempre vai estar comigo para me ajudar?

 Meu coração acelerou. Era a hora de dizer?

- Eu prometo - Respondi - Eu vou estar sempre com você, como agora, para ser o seu apoio... 

Aos poucos Lápis se afastou de mim e foi quando percebi que ela estava praticamente ajoelhada me abraçando, o que explica nós estarmos na mesma altura. Ela estava com os olhos encharcados e um sorriso leve, tentando secar as lágrimas.

- Você não precisa ter medo - Falei segurando o rosto dela -  Não precisa mais ter medo da Jasper ou da malaquita... porque você não está mais sozinha. Não tem mais que enfrentar as coisas sem ajuda.

- Peri...

- E eu... eu tenho que pedir desculpas... - Falei, interrompendo-a. Ela me encarou com um olhar curioso - Eu sinto muito por te fazer esperar tanto, por fugir e não admitir as coisas que sinto... Sinto muito se fiz você pensar que não poderia confiar em mim para enfrentar seus medos ou que eu não ficaria do seu lado quando precisasse.

 Novamente eu senti o medo de continuar, mas dessa vez, não estava disposta a parar no meio do caminho.

- Peridot - Os olhos de Lápis começaram a demonstrar um brilho por trás das lágrimas

- Você pode confiar em mim... porque eu amo você, Lápis... de verdade. Amo como os humanos dizem que amam. Eu sinto por você um desejo inexplicável de ficar junto e de te ter para mim - Falei, firme - Eu não quero nunca te deixar ou me afastar de você, porque começar a morar com você aqui foi a melhor coisa que me aconteceu.

 Logo que terminei de falar, os olhos de Lápis brilharam e um sorriso verdadeiro e cheio de vida surgiu no rosto dela. Mesmo sem dizer nada, eu podia perceber que aquilo realmente a fez se sentir melhor, embora que ainda estivesse abalada pelo que houve. Lápis me abraçou novamente e, depois de uns minutos, disse:

- Eu também prometo que nunca vou te deixar.

 Aquilo me aqueceu por dentro de uma maneira imediata. Certamente eu estava mudando de cor de novo. Mas bem, para fazer alguma coisa especial para a minha colega de celeiro, eu a deixei no sofá e fui pegar alguns legumes para cozinhar. Porém, ela não quis ficar sozinha e veio comigo para me ajudar.

 Nós colocamos rapidamente umas espigas de milho no fogo e poucos minutos depois estávamos comendo e conversando um pouco sobre as outras coisas que ela fez com o Steven no tal barco (o qual se chamava "SS. Lapizinha"). Aparentemente ela havia se divertido também apesar da surpresa desagradável. Steven e o Pai dele queriam muito que ela se sentisse bem com o mar de novo, isso me deixou muito entusiasmada. Afinal seria incrível se fôssemos passear de barco também.

 Depois de limparmos umas 3 espigas cada, eu tive uma ideia para terminar aquela noite da melhor maneira possível, fazendo uma surpresa para Lápis.

 Eu corri até o baú do celeiro e peguei os meus dois saltos de lata que o Steven fez para mim e também o meu gravador. Depois que coloquei os saltos eu fui até Lápis e comecei a procurar a parte certa da fita que queria mostrar pra ela.

- O que é isso? - Ela perguntou - Essas coisas são para deixar você mais alta?

- Sim... mas não exatamente isso - Falei mexendo no gravador - É para poder fazer isso melhor.

- O que?

 No gravador, eu estava procurando a gravação que eu fiz de uma música que ouvi na TV. Uma que era muito bonita e que as pessoas no programa onde estava tocando estavam dançando. Parecia algo muito divertido, principalmente porque os humanos estavam dançando bem juntinhos. Seria perfeito para tentar com Lápis. Então, assim que eu achei a música, eu coloquei o gravador no chão com o volume máximo e estendi a mão chamando Lápis.

- Dançar - Respondi ela - Venha, é só se deixar levar pela música.

Com uma expressão despreocupada, Lápis segurou a minha mão e me deixou conduzi-la enquanto tentava se mover ao tom da música. Eu estava muito desajeitada por causa dos meus saltos, mas logo em seguida consegui me equilibrar e guiar os movimentos dela da mesma forma que vi os humanos fazendo.

 Para mim, mais impressionante do que estar conseguindo realmente fazer aquilo, era ver como Lápis parecia conseguir naturalmente. O corpo dela tinha uma leveza tão contagiante e atraente que quase me hipnotizava.  Eu estava admirada por aquela naturalidade. E Lápis, que certamente percebeu isso, chegava a dar pequenas risadinhas ao me ver errar os passos por estar encarando ela. Assim, mais uma vez eu acabava mudando de cor. 

 De vagar, nós íamos de um lado para ou outro sem pensar muito no caminho dos passos. Lápis e eu movíamos as mãos uma da outra enquanto afastávamos e aproximávamos nossos corpos. Eu estava um pouco nervosa de não conseguir fazer algumas coisas, mas imediatamente me lembrava de quando Garnet me ajudou a dançar. O que me deu a ideia de rodar lápis algumas vezes e faze-la ficar de costas para mim, de modo que  eu praticamente a abraçava e a segurava juntinha de mim.

 Depois, a medida que a música ia ficando mais lenta, nós começamos a dançar mais calmamente e cada vez mais próximas. Lápis estava de frente para mim e eu não conseguia encarar olhos dos dela, até que, ao soar do último refrão, eu apenas fechei os meus e me deixei levar pelo último passo. Foi quando Lápis aproximou nossos rostos e me beijou novamente. No mesmo instante, meu corpo estremeceu assim como da última vez, mas com um detalhe diferente. Agora eu não estava com medo de algo dar errado ou de estragar tudo. Agora eu estava confiante de que nosso sentimento naquele ato era real. E muito provavelmente por causa disso, no momento que retribuí o beijo dela, mal percebi que  nossos corpos começaram a brilhar.

 Na verdade, quando me dei conta, Lápis não estava mais comigo... Na verdade, acho que nem eu estava lá. Eu senti de repente que estava dentro de outro corpo, um mais alto e mais... azulado. Dentro de uma fusão! Eu me toquei de repente que Lápis havia se fundido comigo. Sem perigos, sem razões, sem aprovações das cortes de Homeworld. Lápis e eu estávamos dividindo o mesmo corpo pela mesma razão que Garnet também sempre fazia isso. Aquela fusão era a personificação verdadeira do amor de nós duas. Era uma sensação muito estranha, diferente e... fantástica. Eu sentia como se fosse eu e ela ao mesmo tempo. Com sensações e pensamentos que vinham dos dois lados e se misturavam formando um só.

 Será que era assim que Garnet se sentia? Será que alguma Peridot já fez algo assim? Não sei, e pouco importa na verdade. Aquele momento é nosso e apenas nosso. É a nossa experiência... de estarmos juntas e sozinhas. E por mais que houvessem muitas outras coisas borbulhando na minha cabeça, isso só me fez pensar que o meu presente para Lápis, aquele que eu pretendia dar a ela antes disso tudo.

  Com dificuldade de andar com um corpo daqueles, eu e Lápis fomos até o baú onde eu havia deixado o presente e pegamos uma camisa enrolada com uma estampa muito simples à mostra. "Lapidot" estava escrito, com um desenho das nossas gems juntas em baixo. Não sei porque exatamente tinha feito aquilo, mas parecia o presente perfeito com uma mistura dos nossos nomes para puxar o assunto de "nós duas juntas". E no final, parece que acabou sendo o mais adequado para esse nosso momento.

 Dentro de mim (ou de nós), eu me senti muito feliz, como se estivesse vendo a camisa pela primeira vez. Provavelmente era o que Lápis estava sentindo. Então, imediatamente nós colocamos a camisa e fomos nos ver na frente do espelho.

Porém, assim que vimos, a gente não conseguiu se segurar. "Eramos uma só", esse pensamento veio à nós como se não tivesse caído a ficha ainda. Sem que pudéssemos evitar, o nosso corpo brilhou de novo e acabamos nos separando, só que agora, presas dentro da mesma camisa. Nós  rapidamente nos desequilibramos pela diferença de altura e caímos no chão.

 Eu fiquei corada novamente, já que estávamos presas uma de frente para outra. Mas Lápis estava risonha, muito animada com aquilo. E, olhando para mim com uma expressão de admiração, ela disse:

- A melhor coisa que eu fiz na vida foi vir morar aqui - 

Em seguida ela me deu um beijinho no nariz, e riu porque eu estava mudando de cor de novo.

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