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Problemas Internos

   Sempre existe algo que tira meu sono. Sempre tem alguma coisa que me preocupa, que me deixa pensativo e mal humorado, e afeta como lido com todo o resto. Pode ser o meu trabalho, a minha rotina, as falhas quanto às coisas que quero fazer. Pode ser minha dificuldade de me relacionar, sobre como as pessoas não se afinizam comigo da forma que poderiam, e pode ser, inclusive, as coisas que amo, mas que me causam frustração quando não consigo fazê-las. Certa vez, há bastante tempo, eu cheguei à conclusão de que o mundo e as coisas ao meu redor quase sempre estão bem. Eu tenho uma vida tranquila. Tive bons empregos, boas oportunidades de estudar, uma família estruturada na medida do possível, mas, mesmo assim sempre tive uma espécie de inquietação dentro de mim. Algo que fazia parecer que meus problemas não só eram duros demais, mas que sempre voltavam, e que eu estava fazendo tudo, menos o certo para resolvê-los. Como podemos chamar isso? Ansiedade? Medo? Uma consequência do fat...

Voltando a escrever

Nota: Essa crônica foi escrita há pelo menos 5 meses. Na verdade, eu não tenho ideia da data exata em que escrevi, mas mesmo assim ela serve como um ponto de partida para retomar toda a atividade tanto do meu blog quanto nos meus perfis em sites por aí. Já faz bastante tempo que superei meu bloqueio, só que eu ainda não estive focando tanto quanto deveria em voltar a escrever. Para escrever bem eu preciso praticar, e prometo que vou me esforçar daqui pra frente.   Já faz bastante tempo que não escrevo seriamente. Parando para ver, são quase três meses que sequer tentei sentar e escrever. Pode ser por receio, medo de dar o primeiro passo, mas agora que estou aqui, acho que posso dizer que não tenho nada a perder. Se o texto ficar bom ou não, pelo menos eu tentei.  Primeiro de tudo, queria pontuar sobre o porquê de eu ter parado de escrever. Eu já elaborei bastante sobre isso em outros desabafos, mas aqui isso será praticamente uma confissão, e um convite a mim mesmo para não de...

Justo Do Lado Dela

   Quando a aula acabou, eu subi no ônibus com o ânimo de uma batata, já que era sempre quase impossível conseguir um assento livre na hora de ir para casa.  A minha escola era o terceiro ponto por onde ele passava, então você deve imaginar que era um hábito passar a viagem toda pendurado nas alças do teto. Porém, surpreendentemente, dessa vez havia um lugar vago, mas tão rápido quanto o sorriso surgiu no meu rosto, minha expressão azedou ao ver ao lado de quem eu teria que sentar.  Com o rosto apoiado no vidro da janela e um par de fones nos ouvidos, Amanda Sandero, a colega de classe mais insuportável que se pode imaginar, estava ali, completamente alheia à minha existência. Exatamente do jeito que ficava quando não queria conversar com ninguém.  Eu tentei olhar em volta e procurar algum outro lugar vago, mas não havia nenhum. Querendo ou não, teria que sentar ao lado dela. Então apenas fui, repetindo para mim mesmo o pensamento consolador de que, quanto antes...

Um Jogo De Ping Pong

  — Vai, cuidado! — Alex gritou, enquanto Pedro rebatia a  bolinha que quase havia caído para fora da mesa. — Essa foi por pouco —  o garoto comentou ao ver a bolinha avançar para o outro lado e rapidamente ser batida de volta pela sua adversária. — Você pode resistir, jovem gafanhoto, mas não por muito tempo! — Kim Tomikawa declarou, com os olhos afiados pelo desafio.  O jogo estava intenso, e o resto da turma, que há poucos minutos estava apenas conversando espalhado pela classe, agora estava reunido em torno da mesa do professor, onde aquele jogo de ping pong improvisado estava se desenvolvendo.  A mesa era grande. Não tão grande quanto uma mesa de ping pong de verdade, mas era grande, e usando alguns cadernos como rede improvisada, os dois jovens estavam em uma competição acirrada, com seus pontos praticamente empatados.  A bolinha, que havia sido tirada de uma embalagem vazia de desodorante roll on , voava de um lado para o outro sendo seguida pelos ol...

Adeus

  A despedida já havia acontecido. Uma reunião com os amigos, algumas porções de batatas e frango frito, e muitas risadas. Risadas que vazias, opacas. Algo que não me trazia qualquer sensação de conforto.  Por que ficaram tão felizes? Porque parecia que não estava realmente mal com aquilo?  Bem, talvez só eu não tenha conseguido sentir orgulho dela. A única coisa que poderia ver era a falta que ela faria. A falta das risadas sinceras, do jeito carinhoso e responsável com os amigos, do olhar meigo, das suas mãos acariciando meu rosto, dos seus lábios rosados ​​sorrindo pra mim.  Não… eu tenho orgulho dela, sim. Estou feliz que ela vai poder seguir seus sonhos, fazer uma faculdade das mais renomadas, mas não posso fingir que não sinto todo o resto. Eu forço um sorriso, finjo um semblante animado, mas por dentro, só quero abrir contra mim e não soltar mais. Não deixe que ela vá.  Ao final de tudo, quando os outros foram embora, eu caminho com ela, a levar até sua c...

Gêmea de Fogo - Capítulo 2

  Nas paredes do quarto de Ravena, a luz dourada dançava como se estivesse viva, e pulsava enquanto começava a se concentrar em um único ponto. Com um movimento lento, o amuleto flutuou da mesa e sua energia se uniu em uma forma que parecia se desenhar em uma forma física. Primeiro como uma figura etérea, feita de energia, mas logo se tornou a silhueta de uma pessoa. Uma garota.  A luz então cessou, e como se houvesse acabado de nascer, a figura diante da cama de Ravena abriu os olhos pela primeira vez. Ela estava viva, e, nesse exato momento, Ravena sentiu um arrepio cruzar sua espinha. A empata abriu os olhos e praticamente saltou da cama. Suas mãos brilhando de energia escura enquanto ela se posicionava, pronta para se defender.  Porém, ao encarar a garota misteriosa, Ravena hesitou. Não tinha certeza do que estava vendo. — O que é isso? — ela murmurou, com uma mistura de choque e confusão.  Do outro lado do quarto, estava… ela mesma.    Ou uma espécie d...